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Principais pragas do Cafezal
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Escrito por Daniel Grecco Passolongo   
Sex, 04 de Março de 2011 19:19

Dentro do conceito de cafeicultura racional o controle às pragas do cafeeiro ocupa lugar de destaque. O cafeeiro é atacado por muitas pragas, que, se não combatidas devidamente, ocasionam grandes prejuízos e em muitos casos limitando a produção.

O grau da importância das pragas apresentadas nesta página varia com as diferentes regiões cafeeiras do país sendo que o Bicho Mineiro, a Broca e Cochonilhas são problemas destacados, praticamente em todas as regiões onde se cultiva o café; os Nematóides,  principalmente o M. incógnita, são problemas seríssimos no Paraná e São Paulo; o M. exigua ocorre em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará; ataques de ácaro vermelho e bicho mineiro tem se intensificado com a utilização de fungicidas cúpricos, para o controle da ferrugem do cafeeiro.Tem se notado o aparecimento de outras pragas atacando o café, como diversas espécies de lagartas, provavelmente devido ao desequilíbrio biológico, causado pela grande utilização de produtos químicos. Sabe-se das muitas possibilidades e vantagens do controle biológico, mas ainda não se dispõe de informações suficientes para sua aplicação prática. São dotados, entretanto, nas recomendações de controle químico, cuidados para a preservação ao máximo dos inimigos naturais.

Deste modo, o controle às pragas deve ser feito quando o seu nível populacional vai atingir o nível de dano econômico, encaixando-se dentro do sistema de "Manejo de Pragas".

Sistemas de manejo de pragas visam desenvolvimento de uma estratégia global de ação, que lança mão de um elenco de táticas de controle, tais como vários métodos : químicos, biológicos, culturais, uso de variedades resistentes ou de metas de interferências nos processos fisiológicos e ecológicos dos insetos. Estas táticas são selecionadas e integradas em programas harmônicos que tiram a máxima vantagem das características das plantas e dos fatores naturais de mortalidade.

 

BICHO MINEIRO Perileucoptera coffeella )

Praga de origem africana, constatada no Brasil a partir de 1851, quando aqui entrou, provavelmente através de mudas de café, provenientes as Antilhas e da ilha de Bourbon. Atualmente encontra-se disseminada por todas as regiões cafeeiras do país. É encontrada também em muitos outros paises das Américas e da África, sendo talvez a praga cafeeira de maior disseminação no globo. É uma praga monófaga, atacando somente o cafeeiro.

O Bicho Mineiro na fase adulta é uma mariposa de cerca de 6,5 mm de envergadura e 2,2 mm de comprimento, de coloração geral branco-prateado. As extremidades das asas anteriores apresentam faixas amarelas orladas de preto e uma mancha ocelar também preta.

Durante o dia as mariposas escondem-se na folhagem, instalando-se na página inferior das folhas do cafeeiro, ou de outros vegetais. A tarde ou ao anoitecer deixam o abrigo e iniciam a postura, na página superior das folhas do cafeeiro.

A lagarta ao nascer passa diretamente do ovo para o interior da folha, alimentando-se então do tecido existente entre as duas epidermes e deixando um vazio na área em que se nutriu.

As regiões destruídas vão secando e a área atacada vai aumentando com o próprio desenvolvimento da lagarta. Esta lesão é caracteristicamente denominada "mina", e pode ser reconhecida pela facilidade em levantar-se sua película superior, observando-se desta forma as lagartas e o espaço vazio deixado por elas.

É normal encontrar-se várias lagartas numa mesma mina devido a coalescência de lesões.

A lagarta desenvolvida mede 4 a 5 mm de comprimento e 0,75 mm de maior largura. Possui corpo achatado, levemente amarelado e transparente; sai para o exterior por uma fenda em forma de semi-circulo, que a lagarta faz na epiderme superior,e, em seguida, se encrisalida na parte inferior desta mesma folha ou em outras mais próximas do solo, e, neste caso, a elas chegam pendurando-se por um fio de seda produzidos por ela.

Esta fase de desenvolvimento do inseto (pupa ou crisálida) pode ocorrer também em folhas de outros vegetais, no solo, em detritos ou folhas secas. É facilmente reconhecida pela presença de um casulo em forma de X, feito pela lagarta, com fios de seda brancos, para proteção da pupa.

Os adultos surgem após o período pupal e tem longevidade média de 15 dias embora possam viver mais de um mês. O ciclo evolutivo varia, de acordo com a temperatura, de 19 a 87 dias.

O período de eclosão vai de 5 a 21 dias. Cada mariposa põe em média 36 ovos, no máximo 90 e no mínimo 3, podendo o período de ovoposição chegar até 25 dias. A postura média por noite é de 7 ovos, colocados isoladamente um do outro. O período larval varia de 9 a 40 dias e o período pupal de 5 a 26 dias. No campo, quando as condições são favoráveis, chega a ocorrer 7 ou mais gerações por ano.

Os danos causados ao cafeeiro verificam-se pela diminuição da área foliar fotossintética (ativa), e principalmente pela queda de folha. O reflexo na produção é patente e normalmente se caracteriza na próxima safra.

Dados sobre experiências realizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, revelaram uma redução de 37%, 53% e até 80% de capacidade produtiva do cafeeiro, respectivamente.

Os prejuízos causados pelo Bicho Mineiro variam principalmente pela intensidade, duração do ataque e época de ocorrência

 

 

BROCA ( Hypothenemus hampei )

Originária da África, onde foi referida como praga em 1901 no Congo, a broca do café atingiu o estado de São Paulo, por volta de 1913, em sementes importadas da África e de Java. Somente a partir de 1924 foram sentidos os prejuízos causados pela praga, constando-se então a sua gravidade. De São Paulo, a broca do café espalhou-se por todas as regiões cafeeiras do pais.

O inseto, na sua forma adulta, é um pequeno besouro de coloração escura e brilhante, tendo o corpo cilíndrico, robusto, recurvado para a região posterior, com o primeiro seguimento do tórax bem desenvolvido e recobrindo a cabeça.

O corpo é revestido de escamas e cerdas e com os élitros sulcados longitudinalmente. A fêmea possui aproximadamente 1,65 mm de comprimento por 0,73 mm de largura. O macho é um pouco menor, tem as asas rudimentares, não voando, vivendo no fruto onde se origina.

Cada macho copula com 10 fêmeas ou mais, dentro do fruto. A razão sexual é de 1 macho para 9,75 fêmeas.

A fêmea fecundada perfura o fruto na região da cicatriz floral ou coroa, fazendo uma galeria através da polpa, ganhando o interior de uma das sementes. A larga, então, a galeria, transformando-a em uma pequena câmara onde realiza a postura. A fecundidade média das fêmeas é de 74 ovos (31 a 119 ovos) e a longevidade média, de 156 dias (81 a 282 dias).

A fêmea coloca 2 ovos por dia e o numero de ovos por câmara dificilmente ultrapassa a 20.

O período médio de incubação dos ovos é de 7,6 dias (4 a 16 dias).

O período larval é de 13,8 dias em média (9 a 20 dias) e o período pupal de 6,3 dias em média (4 a 10 dias). O número de gerações, em nossas condições, pode chegar até a 7 por ano, sendo que 4 a 5 evoluem no período de novembro-dezembro a julho-agosto.

O ciclo evolutivo médio da praga é de 27,7 dias (17 a 46 dias).

A broca ataca o café nos vários estágios de desenvolvimento : frutos verdes, maduros e secos. Frutos chumbinhos não são os preferidos, mas também são atacados. Neste estágio a praga faz uma galeria rasa, ficando com a parte posterior do corpo para fora.

Ocorre quedas de frutos, mas via de regra não ovopositam por estarem nos frutos muito aquosos. O ataque se acentua na fase de granação e maturação.

Após a fêmea penetrar no fruto e fazer galerias com a respectiva câmara de postura, surgem as larvas que vão destruir total ou parcialmente a semente. Altas infestações diminuem a porcentagem de grãos perfeitos e aumentam a de grãos perfurados, de escolha e de grãos quebrados, determinando, em conseqüência, uma sensível perda de peso além do mal aspecto e sabor. Normalmente um lote de café coco com 85% de infestação de broca, apresenta uma perda de peso, após o beneficiamento, de aproximadamente 20%. Evidentemente infestações menores acarretam proporcionalmente menores redução de peso.

Outro prejuízo atribuído a broca é aquele referente a queda de frutos. Durante o desenvolvimento dos frutos observou-se que a broca foi responsável pela queda de 46% dos frutos em um cafezal com 61% de infestação no final da safra, e a proporção da queda entre frutos broqueados e frutos sadios foi de 4,6 : 1 para aquela infestação, verificando-se uma proporção de 3 por 1 entre frutos broqueados que caíram e frutos broqueados que permaneceram.

A inferiorização do tipo é também um dos prejuízo, pois a cada 5 (cinco) grãos perfurados atribui-se um defeito. Um lote de café pode passar do tipo 2 ou 3 para o tipo 7 ou 8, devido exclusivamente ao ataque da praga. Observa-se, portanto, que além de se ter menor quantidade de café devida a redução do peso e à queda de frutos, consegue-se menor preço pelo produto devido à perda da qualidade.

 

COCHONILHAS

Cochonilha Verde (Coccus viridis)

A cochonilha verde é um inseto oval, achatado, tendo 2 a 3 mm de comprimento. É encontrada normalmente em ramos e folhas novas, ao longo da nervura principal. Após sua fixação, o inseto perfura as folhas com seu aparelho bucal e inicia a sucção da seiva. O seu período de postura é de 50 dias e cada fêmea é capaz de colocar 150 ovos, neste período. Reprodução sexuada ou partenogênica.

Cochonilha Branca ( Planococcus citri )

A cochonilha branca possui de 3 a 5 mm de comprimento. Caracteriza-se por apresentar, lateralmente, 17 apêndices de cada lado, de coloração branca pulverulenta e outros dois apêndices terminais maiores que os laterais.

Localizam-se nos ramos mais novos, folhas, botões florais e preferencialmente frutos, desde os estágios chumbinho à maduro, instalando-se na base dos mesmos e nos pedúnculos. O ataque na lavoura é facilmente reconhecido face à secreção de uma substância lanuginosa, de cor branca, que serve para proteger os ovos junto ao corpo do inseto. As formas jovens possuem coloração rosada e as adultas castanha amarelada.

Sua capacidade de ovoposição é cerca de 400 ovos e seu ciclo evolutivo completo é de 25 dias em média. Reprodução sexuada.

Cochonilha da raiz ( Dysmicoccus cryptos )

Muito semelhante à cochonilha branca, a cochonilha da raiz do cafeeiro na fase adulta mede de 2,5 a 3 mm de comprimento por 1,5 a 2 mm de largura . Sob a cerosidade branca que a envolve, apresenta uma coloração rosada ou ainda cinza esverdeada.

Esta espécie excreta um líquido açucarado, que condiciona o desenvolvimento de um fungo do gênero Bornetina, formando assim uma cripta sobre a colônia. A sucessão de criptas, também chamadas pipocas, se apresenta com aspecto de nodosidade das raízes, e servem para alojar o inseto.

Segundo os dados de Nakano (1972), o inseto pode dar até 5 gerações anuais. Em um período de 52 dias cada indivíduo pode dar origem a outros 253. Reprodução partenogenética.

Cochonilha de placa ( Orthezia praelonga )

A cochonilha de placa foi encontrada atacando cafeeiros arábica no norte do Paraná (1979/80) e cafeeiros robusta no Espírito Santo (1983). Esta é conhecida por apresentar placas ou lâminas cérias, simetricamente disposta sobre o corpo, constituindo, na parte posterior um saco cério calcáreo, semelhante a uma cauda, com o nome de ovissaco (4,5 mm).

Corpo com 2 mm de comprimento e largura máxima de 2 mm. Ataca ramos, folhas e até frutos. Até o momento, apresenta importância reduzida em café, devido a baixa freqüência de ocorrência; entretanto é uma das pragas mais sérias de citrus.

Os danos causados por estes insetos manifestam diretamente pela sucção contínua da seiva, contribuindo para o depauperamento da planta, chegando até ao seu extermínio, conforme a gravidade do ataque.

O definhamento da planta, manifesta-se através do amarelecimento, queda de folhas, de frutos, chochamento de frutos e seca de ponteiros. Naturalmente que estes sintomas vão aparecer com maior ou menor intensidade, dependendo da capacidade de resistência de sugar a seiva e da intensidade do ataque. Estes insetos segregam um líquido açucarado, que cai sobre as folhas e serve como meio de cultura ao fundo chamado fumagina, que reveste a folhagem de uma camada preta prejudicando a fotossíntese e a respiração da planta.

As picadas sucessivas nas plantas podem favorecer também a penetração de microorganismos, causadores de doenças. A presença de formigas é uma constante nas áreas atacadas.

A cochonilha verde ocorre com maior freqüência no período chuvoso, nos meses de novembro a janeiro. Quanto a cochonilha branca, a época de maior incidência tem sido a partir de março, com as primeiras estiagens : o ataque muitas vezes prolonga-se até o início da estação chuvosa.

No caso da cochonilha de raiz os sintomas de ataques são mais evidentes no inverno, quando ha problemas de falta d'água e de menor circulação da seiva.

 

NEMATÓIDES

Os nematóides assumem importância destacada na cafeicultura nacional. Normalmente o ataque ocorre em reboleiras, sendo a sintomatologia da parte aérea mais evidente no período seco, devido à menor circulação de seiva e menor quantidade de água disponível no solo.

Esses nematóides apresentam ataque mais severo em regiões de solo arenoso, bem como em solos já degradados, com nível baixo de matéria orgânica. Essas degradações provocam mudanças na biologia do solo, que podem favorecer o aumento das populações destas espécies.

A espécie de maior importância é Meloidogyne incognita que,  pela agressividade dos ataques, ocasionam redução na  produção e muitas vezes a morte das plantas.

Seguem-se, em importância, as espécies M. exigua e M. coffeicola, que também reduzem a produção.

M. exigua : ocorre em todas as regiões cafeeiras do Brasil principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Admite-se a existência de duas ou três raças fisiológicas desta espécie, afetando variedades de Coffea arábica, bem como outras culturas : chá, pimentão, melancia, cebola e outras culturas e importância econômica.

Produz pequenas galhas nas raízes dos cafeeiros, facilmente visíveis, que entretanto podem passar despercebidas quando as raízes sofrem dissecamento. As plantas infestadas apresentam o sistema radicular reduzido e às vezes fendilhadas. A parte aérea pode apresentar-se decadente com folhas cloróticas e queda de folhas, principalmente em períodos de seca e frio.

M. incognita : constatada atacando cafeeiros arábica nos Estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, além de numerosas progênies de outras espécies de gênero Coffea.

No Espírito Santo aparece atacando cafeeiros robusta e não os arábicas. Existem constatadas 4 - 5 raças deste nematóide. As galhas produzidas por esta espécie são menores que as do M. exigua. As raízes se apresentam engrossadas, com rachaduras e com o aspecto de cortiça. Esse sintoma aparece ao longo das raízes, intercalado com partes sadias. Clorose e depauperamento geral da planta são observados.

O M. incognita esta sendo considerado como nematóide que causa maiores prejuízos à cafeicultura; além disso foi também constatado que este nematóide é problema em inúmeras outras culturas como : abóbora, algodão, feijão, trigo, etc.

Já foi constatado até o presente o seu ataque nas seguintes ervas daninhas na região do Paraná, tais como : capim pé de galinha, maria pretinha, fedegoso, marmelada de cavalo, mentrasto. É provável que futuramente esta lista seja ampliada. Como podemos notar não é fácil fazer rotação de culturas com café infestado de M. incognita

A disseminação dos nematóides do gênero Meloidogyne através da própria locomoção ( na fase de larvas ) é lenta, sendo que os processos normais de cultivo das lavouras podem contribuir para acelerar a disseminação através de :

a) Mudas infestadas : muito perigosas devido a distância que podem ser transportadas pelos cafeicultores.

b) Água da chuva : as enxurradas provenientes de estradas ou formadas na própria lavoura podem arrastar junto com as partículas do solo as larvas e os ovos, que em condições propícias contaminam os cafeeiros sadios.

c) Os implementos agrícolas e seus operadores em suas movimentações, de lavouras infestadas para a sadia, podem acelerar a disseminação do solo contaminado.

d) O plantio de mudas de Kiri ou de outras essências, que estejam contaminadas com nematóides nocivos ao cafeeiro, para quebra ventos ou em beira de carreadores, pode contaminar as lavouras de café, principalmente o kiri, pois resta essência é multiplicada vegetativamente ( seções de raízes ) e já se constatou nela ataque de M. incognita e M. arenaria.

 

Dentre as doenças que ocorrem na cultura do café na região amazônica podemos citar a ferrugem como a mais importante. Entretanto, as doenças na região têm se agravado e gerado significativas perdas de ordens quantitativa e qualitativa.

 

FERRUGEM DO CAFÉ

Das doenças que ocorrem no cafeeiro no Estado, a ferrugem é a mais importante, devido aos grandes prejuízos que causa à cultura. Esta doença ocorre em todas as regiões produtoras do café no Brasil, América Central e América do Norte (Schieber & Zentmyer, 1984). Em café arábica, a perda é cerca de 35 a 40% (Garçon et al., 2000), No entanto, em café robusta, esses dados são desconhecidos principalmente na Amazônia. Esta é uma doença foliar que, inicialmente, causa manchas cloróticas translúcidas com 1-3 mm de diâmetro, observadas na face inferior do limbo foliar. Em poucos dias as manchas crescem, atingindo 1-2 cm de diâmetro. Na face inferior, desenvolvem-se massas pulverulentas de coloração amarelo-laranja formadas por uredósporos do patógeno que, quando coalescem, podem cobrir grande extensão do limbo.

O agente causal da doença é o fungo Hemileia vastatrix Berk & Br. Atualmente existem mais de 40 raças fisiológicas de ferrugem, que no Brasil são encontradas cerca de oito raças virulentas. Entre estas, a raça II predomina nos cafezais brasileiros. O fungo ataca as variedades de café, porém, dentro do gênero Coffea, são observadas diferentes reações à patogenicidade. A espécie Coffea canephora que, predomina na região Amazônica, apresenta cultivares com resistência, enquanto que a maioria das cultivares comerciais dentro da espécie C. arabica é suscetível à doença (Silva et al., 2000).

Para que sejam adotadas medidas de controle da ferrugem do cafeeiro, é necessário observar os seguintes fatores: a) alto potencial do inóculo inicial, b) cargas pendentes dos frutos, c) densidade foliar das plantas e d) clima (Zambolim et al., 1997). O controle pode ser feito através do controle biológico com Verticilium hemileiae, Cladosporium hemileiae e Glomerela cingulata, que normalmente são encontradas parasitando pústula da ferrugem; do controle químico a base de cobre, os sistêmicos (grupo dos triazois) via foliar e via solo; do controle genético por meio de variedades resistentes como Guarani, Robusta e Apoatã.

 

CERCOSPORIOSE

A cercoporiose, também conhecida como olho pardo, mancha circular, mancha parda ou olho de pombo, é uma doença bastante antiga nos cafezais brasileiros e das Américas, datado no Brasil de 1887 (Godoy et al., 1997). No Brasil, a doença está presente de forma endêmica em quase todas as lavouras cafeeiras, sendo que, nas regiões que apresentam condições favoráveis (seca, solos pobres), constitui-se em uma doença de importância econômica (Carvalho & Chalfoun, 2000; Chalfoun, 1998).

O agente causal dessa doença é o fungo Cercospora coffeicola Berk & Cook. Os sintomas característicos que conferiram as denominações dessa doença são manchas circulares de coloração castanho claro a escura, com o centro branco-acinzentada, quase sempre envolvidas por um halo amarelo. (Godoy et al., 1997; Cavalho & Chalfoun, 2000). Nos últimos anos, têm sido observados sintomas diferentes nas folhas, caracterizados por manchas escuras sem halo amarelo (Cercospora sp. ou Cercosporidium) Juliatti et al. (2000) relataram que em algumas regiões tem-se denominado cercospora negra.

Presente em todas as regiões cafeeiras do Brasil, a doença causa prejuízos tanto na fase de viveiro (mudas), como de campo (plantas novas e adultas) (Carvalho & Chalfoun, 2000). Segundo os mesmos autores os principais danos provocados pela doença são: a) viveiros – queda de folhas e raquitismo das mudas, b) pós-plantio – desfolha e atraso no crescimento das plantas, c) lavouras novas – após as primeiras produções, pode causar queda de folhas frutos e seca de ramos produtivos, d) lavouras adultas – queda de folha, amadurecimento precoce e queda prematura de frutos, chochamento. As lesões funcionam como porta de entrada para outros fungos que depreciam a qualidade do produto. As condições climáticas como umidade relativa alta, temperaturas amenas, excesso de insolação, déficit hídrico e quaisquer outras condições que levem a planta a um estado nutricional deficiente ou desequilibrado favorecem a doença (Juliatti et al, 2000; Carvalho & Chalfoun, 2000; Godoy et al., 1997). Algumas dessas condições são substratos pobres para a formação de mudas, textura de solo inadequada (argiloso ou muito arenoso), sistema radicular deficiente, compactação do solo, deficiência de nitrogênio, excesso de potássio ou desequilíbrio da relação N/K.

De acordo com Godoy et al. (1997) e Carvalho & Chalfoun (2000), o controle da doença deve se iniciar com os cuidados na formação das mudas, evitando as condições favoráveis à doença através de práticas culturais, como a formação de viveiros em local bem drenado e arejado, utilização de substratos.balanceados em nutrientes, com boas propriedades físicas, controle da irrigação e do excesso de insolação nas mudas.

O controle químico deve ser feito quinzenalmente, com aplicações preventivas com fungicidas cúpricos alternados com ditiocarbamatos, na concentração de 0,3% gastando em média 10 litros de calda fungicida para 20.000 mudas. Nos plantios novos, havendo períodos de seca, é recomendável efetuar pulverizações com uma mistura de fungicidas e nutrientes, empregando-se fungicida cúprico a 0,5% ou benomyl a 0,1% com uréia a 1%. Nos cafezais de segundo e terceiro ano, se a doença for grave, recomenda-se adotar programa de pulverizações preventivas, usando-se fungicida cúpricos que coincidem com a época do controle da ferrugem que vai de novembro a julho, na região amazônica (Garcia et al., 2000).

 

RHIZOCTONIOSE

O agente causal da rhizoctoniose é o fungo Rhizoctonia solani Künn, que habita o solo e sobrevive por longos períodos em resto de culturas. A doença pode causar perdas econômicas consideráveis em sementeiras, viveiros de mudas e plantas um ano após o plantio.

Segundo Godoy et al., 1997; Carvalho & Chalfoun, 2000; Mendonça et al., 2000; o ataque quando em pré-emergência, causa a morte da plântula antes desta atingir a superfície do solo. No canteiro, observam-se falhas, em reboleiras, evidenciando o desenvolvimento anormal da germinação. Em pós-emergência, os sintomas aparecem na região do caule, próximo ao solo, onde são formadas lesões com 1 a 3 cm de extensão, que circundam o caule, promovendo a murcha e posterior morte da muda. No campo, após um ano de plantio ou mais, as plantas murcham, secam e podem tombar, devido ao roletamento do caule na região do colo.

O aparecimento da doença é favorecido por solos infestados, pela reutilização de sementeiras, pelo excesso de umidade (chuva contínua, irrigação excessiva ou local mal drenado) e pelo excesso de sombra no viveiro (Mendonça et al., 2000). No campo, o ataque é severo durante o período chuvoso na região que vai de novembro a junho do ano seguinte.

Como medidas de controle, segundo, Carvalho & Chalfoun, 2000; Godoy et al., 1997; Mendonça et al., 2000; deve-se eliminar as condições favoráveis a doença, aplicar cal viva (700g/m 2 ) em área com alto grau de infestação, arrancar e queimar, cafeeiros atacado pela doença, fazer replantio, três meses após o preparo e tratamento das covas com produtos à base de PCNB, e controle químico com fungicidas cúpricos , ditiocarbamatos e Monceren 25% PM e Plantacol na dose de 3g.p.c/kg de semente e 750g.p.c./100L de água, respectivamente, são eficientes no controle do tombamento.

 

ANTRACNOSE

Dentre as doenças que atacam o café, a antracnose constitui, em alguns países, um grave problema trazendo sérios prejuízos à cultura. Em algumas regiões ocorre uma enorme variação de intensidade dos danos por ela provocados (Dorizzotto, 1993).

Esta doença afeta todas as espécies de cafeeiro, mas a suscetibilidade é maior em Coffea arabica e C. canephora. Dentro da arábica há uma grande diferença varietal quanto à suscetibilidade a esse patógeno (Pereira & Chaves, 1978). Os sintomas da antracnose, segundo Godoy et al., 1997; Chalfoun, 1998; manifestam-se em todas as partes da planta podendo ser atacadas por Coletotrichum coffeanum, que habitualmente coloniza tecido externo do cafeeiro. Os primeiros sintomas nas flores é usualmente uma mancha ou lista marrom escuro sobre o tecido branco da pétala. Em frutos verdes observam-se pequenas manchas necróticas, escuras, ligeiramente deprimidas em qualquer região do fruto. Sobre as folhas observa-se manchas necróticas cinzas, irregulares, grandes e comumente nos bordos. Após certo tempo anéis concêntricos se formam nos quais massas de esporos são visíveis. O ataque do fungo sobre as folhas novas da ponta dos ramos pode causar o chamado "Elon dieback", que inicia uma prematura, súbita e parcial abscisão das folhas sobre as partes novas e suculentas da planta. A lesão progride em direção ao tecido vascular, começando uma murcha repentina e colapso do ramo. Após 74 a 96 horas, ocorre a morte do ponteiro. A ação do patógeno é favorecida por chuva leve e orvalho abundante. Geralmente toma oito internódios sobre os quais o fungo forma acérvolus que em condições favoráveis liberam conídios em massa típica de coloração rósea pálida. Posteriormente as formas saprofíticas formam peritécios do estádio perfeito do fungo Glomerela cingulata (Chalfoun, 1998).

 

MANCHA MANTEIGOSA OU BLISTER SPOT

De acordo com Chalfoun (1998), a doença é de pouca importância sobre Coffea arabica no Estado de São Paulo, porém, é importante em plantações de café Conilon (Coffea canephora), ocorrendo em menor escala em híbridos arábica x robusta, tipo Icatu e mais raramente em cafeeiros arábica. A doença, segundo Carvalho & Chalfoun (2000) é causada pelo fungo Colletotrichum coffeanum Noack. Segundo Garcia et al. (2000), na região Norte, é de importância, chegando a atacar de 10 a 15% das lavouras de Conilon.

Os sintomas da doença podem se iniciar pelas folhas e ramos, porém ocorre, principalmente nas folhas, onde aparecem inicialmente manchas arredondadas de coloração verde-clara, com aspecto oleoso e bem distribuídas por todo o limbo foliar. Em estádio mais avançado, as manchas apresentam centro necróticos, juntam-se e, às vezes, necrosam grande parte das folhas, causando a queda prematura das folhas e secamento dos respectivos ramos. As lesões medem de 2 a 10 mm de diâmetro. O ataque é mais intenso nas folhas e ramos jovens durante o período chuvoso quando ocorre intença brotação, porém pode ocorrer o ano todo. Os cafeeiros atacados apresentam desfolhas e seca progressiva dos ramos, no sentido do ápice para base (Chalfoun, 1998; Carvalho & Chalfoun, 2000; Garcia et al., 2000).

Segundo Garcia et al. (2000), o controle da doença pode ser feito segundo as mesmas recomendações para o controle da ferrugem e da antracnose.

 

QUEIMA DO FIO,

A doença é também denominada de mal de koleroga ou mal de hilachas. È causada pelo fungo Pellicularia koleroga (Koleroga noxia Donk, Corticium koleroga).

De acordo com Matiello (1991), Godoy et al. (1997), Garcia & Veneziano (1998), os micélios do fungo desenvolvem-se sobre folhas, ramos e frutos novos. O micélio externo, de coloração esbranquiçada, estende-se a partir dos ramos, caminhando sobre a folha atingindo quase todo limbo foliar, que fica necrosado. Na parte inferior da folha é visível uma película esbranquiçada. A folha lesionada desprende-se, seca e fica pendurada no ramo por um filamento branco, que é o micélio do fungo.

O controle deve ser feito eliminando-se as partes ou plantas infectadas, queimando-as fora da área da lavoura. Aplicar fungicida a base de oxicloreto de cobre (cobre 50% de cobre metálico) na dosagem 1,5kg.i.a/ha (Garcia & Veneziano, 1998).

 

SECA-DOS-PONTEIROS

A doença pode ser atribuída a ação conjunta de três causas distintas: a) distúrbios fisiológicos e nutricionais; b) ação de agentes patogênicos e c) ataque de pragas. É muito comum na Amazônia.

Segundo Matiello, 1991; Veneziano, 1996; os prejuízos causados pela doença são: a) queda da safra pendente, b) perda na granação e no rendimento dos frutos, c) depreciação do tipo de café pela presença de grãos chochos e mal.granados, esverdeados e pretos, d) redução drástica da produção do ano seguinte.

De acordo com Veneziano (1996), na região Amazônica foram constatados os seguintes fungos como agentes causais da seca-dos-ponteiros: Hemileia vastatrix, Colletotrichum coffeanum, Cercospora coffeicola e Pellicularia koleroga. Os sintomas aparecem inicialmente nos tecidos jovens dos brotos apicais, folhas novas e ponteiros nos ramos. Os brotos terminais e laterais ressecam os ramos, estendendo-se em anéis concêntricos pelos entrenós até atingir os tecidos lignificados do 3º e 4º nó de cada ramificação.

Segundo Garcia et al. (2000), são adotas as seguintes medidas de controle: a) evitar a instalação de lavouras em áreas sujeitas à incidência de ventos fortes, b) utilizar adubação equilibrada, c) executar os tratos culturais na época certa d) controlar quimicamente a ferrugem e a antracnose do cafeeiro.


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