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Henri Wallon: o psicólogo da emoção
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Escrito por Rosena Marques Heleno   
Dom, 13 de Março de 2011 11:34

Henri Wallon é considerado o “psicólogo da emoção”. Em suas teorias afirma que a emoção se traduz e se imprime no tônus muscular(BUENO, 1998).
Segundo Wallon, o movimento é a primeira estrutura de relação com o meio, com os objetos e os outros, a primeira forma de expressão da emoção da criança e do comportamento.
Wallon elaborou uma teoria sobre o desenvolvimento humano, tendo em vista a sua preocupação com a educação, expôs suas idéias pedagógicas, apontando bases que a psicologia pode oferecer à atuação pedagógica.
Porém, a teoria do desenvolvimento de Walloln não é muito divulgada nos meios educacionais. Por acreditar que ela possa contribuir para a psicologia da educação e também para a psicomotriciadade voltada a área da Fisioterapia, esperamos que o trabalho a seguir possa levar um pouco de conhecimento a todos que tenham o interesse de construir um elo forte entre a Fisioterapia e a teorias desenvolvidas por Wallon.

1  BIOGRAFIA
Henri Wallon nasceu em 15 de junho de 1879, em Paris, filho de Paul Alexandre Joseph e neto de Henri-Alexandre Wallon. Tornou-se bem conhecido por seu trabalho científico sobre Psicologia do Desenvolvimento, devotado principalmente à infância, em que assume uma postura notadamente interacionista, e por sua atuação política e posicionamento marxista. Por sua formação, ocupou os postos mais altos no mundo universitário francês, em que liderou uma intensa atividade de pesquisa (GALVÃO,  1995).
Segundo Galvão, ao longo de sua vida foi sempre muito explícita sua aproximação com a educação. Aos 23 anos, em 1902 formou-se em Filosofia pela Escola Normal Superior, e em 1908 formou-se em Medicina, sendo que de 1908 a 1931 trabalhou com crianças portadoras de deficiência mental. Seu primeiro trabalho, Délire de persécution. Le délire chronique à base d'interprétation (“Delírio de perseguição. O delírio crônico na base da interpretação”), foi publicado em 1909. Em 1914 serviu durante meses como médico no Exército francês, na frente de combate.
Em 1920, passou a lecionar na Sorbonne, Universidade de Paris. Entre 1920 e 1937, foi encarregado de conferências sobre a Psicologia da Criança na Universidade de Sorbonne e em outras instituições de ensino superior. Em 1925 publica sua tese de doutorado intitulada L'enfant turbulent (“A Criança Turbulenta”), iniciando um período de intensa produção literária na área de Psicologia da Criança. Em 1927, Wallon foi nomado diretor de estudos da École Pratique des Hautes Etudes (Escola Prática de Estudos Avançados) e criou o Laboratório de Psicobiologia Pediátrica no Centro Nacional de Pesquisa Científica. Até 1931 exerceu a função de médico de instituições psiquiátricas, enquanto consolidava paralelamente seu interesse pela Psicologia da Criança (FONSECA, 1993).
Wallon atuou como professor do Collège de France, no Departamento de Psicologia da Infância e Educação, no período que vai de 1937 a 1949. Em 1945 publica seu último livro, Les origines de la pensée chez l'enfant (“As origens do pensamento na criança”).
Além de psicólogo, Henri Wallon foi um grande político. Wallon foi contemporâneo às duas Guerras Mundiais (1914-18 - 1939-45), ao avanço do Fascismo no período entre-guerras, bem como às revoluções socialistas e às guerras para a libertação das colônias na África, que afetaram a Europa, particularmente a França. Ele também assumiu diversos papéis em sua carreira política ao mesmo tempo em que conduzia seus trabalhos científicos (GALVÃO, 1995).
Segundo Fonseca 1993, Wallon foi um ativista marxista. Em 1931, filiou-se ao partido socialita Section Française de l'Internationale Ouvrière (Seção Francesa da Internacional dos Trabalhadores, SFIO). Em 1942 filia-se ao Partido Comunista Francês. Nomeado Secretário da Educação Nacional em 1944, e de 1945 a 1946 atuou como presidente da comissão de reforma educacional. Na Segunda Guerra Mundial foi perseguido pela Gestapo, tendo de viver na clandestinidade. Esteve no Brasil em 1935. Henri Wallon faleceu no dia 1.º de dezembro de 1962, também em Paris, aos 83 anos.

2 TEORIA DE WALLON
Atuando como professor, Wallon discordava dos métodos autoritários empregados pra controle disciplinar o que levava ao obscurantismo e desconfiança.
Por um lado via o estudo da criança como recurso pra conhecer o psiquismo humano e por outro interessava- se pela infância como problema concreto ,sobre o qual se engajou.
Via a relação entre psicologia e pedagogia recíproca, oferecendo então pedagogia um campo de observação á psicologia infantil.
Paralelamente atuava como médico e psiquiatra, consolidando seu interesse pela criança e conhecimentos no campo da psicopatologia, registrando observações de crianças de 2 a 15 anos internadas em serviços psiquiátricos que deu origem a sua tese de doutorado.
Considerando o comportamento patológico como laboratório pra estudos da psicologia, pois assim poderia observar fenômenos mais lenta e precisamente.
“A criança normal se descobre na criança patológica. Mas sob a condição de não tentar entre elas uma comparação, uma assimilação imediata” (Wallon, 1984).
Para Wallon comparar não é ver apenas as semelhanças, mas visa também tanto as semelhanças como as diferenças.
Após a psicopatologia dedicou-se então ao desenvolvimento da criança estudando a consciência por sua origem.
Concentrou-se no processo de desenvolvimento para explorar as origens biológicas da consciência. Da análise de suas observações, comparando semelhanças e diferenças entre o desenvolvimento de crianças normais e patológicas, foi extraindo os princípios reguladores desse processo e identificando seus vários estágios, criando assim a teoria do desenvolvimento.
Refere-se ao esquema corporal não como unidade biológica ou psíquica, mas como construção, elemento de base para o desenvolvimento da personalidade da criança.
A teoria Walloniana conforme abordagem feita por Abigail Alvarenga Mahoney (1999), aponta para duas ordens de fatores que irão constituir as condições em que emergem as atividades de cada estágio: fatores orgânicos e sociais. A interação entre esses fatores define as possibilidades e os limites das características de cada estágio:
•    Impulsivo Emocional ( 0 a 1 ano )
•    Sensório-motor e Projetivo (1 a 3 anos)
•    Personalismo (3 a 6 anos)
•    Categorial (6 a 11 anos)
•    Puberdade e Adolescência (11 anos em diante )

2.1 Estágios da Teoria Walloniana
Os estágios permitem sentidos dentro da sucessão temporal,uma vez que cada um deles é pré-requisito para as atividades do próximo estágio.

2.1.1 Estágio impulsivo emocional
Dividido de 0 a 3 meses, fase em que predominam as atividades que visam à exploração do próprio corpo, caracterizado por movimentos bruscos, desses são selecionados os movimentos que passam a serem efetivos instrumentos expressivos de estados de bem e mal-estar. Na segunda fase (3 a 12 meses), notam-se padrões emocionais diferenciados .

2.1.2 Estágio sensório-motor e projetivo
Exploração concreta do espaço físico , auxiliada pela fala e descriminação de objetos.

2.1.3 Estágio do Personalismo
Exploração de si mesmo e construção da própria subjetividade, processo pelo qual há a descriminação do eu e o outro.

2.1.4 Estágio categorial
A diferenciação nítida do eu e o outro das condições para a exploração mental do mundo físico.

2.1.5 Estágio da puberdade e adolescência
Exploração própria como uma identidade autônoma mediante atividades de confronto, auto-afirmação e questionamentos. Domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração.
Todos os conjuntos funcionais revelam-se de forma que o motor , o afetivo e o cognitivo reagem como um todo diferenciado aos estímulos internos e externos aos poucos e, exigindo da criança um esforço. Diferenciando-se, respondem de forma mais precisa e coordenada ,ou seja, mais adaptada às solicitações do meio e as intenções da criança.
O motor vai de uma movimentação global do corpo para atividades cada vez mais específicas e controladas.
O afetivo tem origem nas sensibilidades internas de interocepção e propriocepção. Assim,variações musculares vão indicando situações de bem estar e mal-estar.
O motor, o afetivo , o cognitivo e a pessoa têm identidade estrutural e funcional diferenciadas, estão integrados de tal forma que cada um é parte constitutiva dos outros.Qualquer atividade interfere em todos eles.
É de uma rede de relações entre os conjuntos motor, afetivos,cognitivos e entre eles e seus fatores determinantes, orgânicos e sociais, que emerge a pessoa. Impossível compreender o ser humano fora desta análise.
Para a construção de método de análise, Wallon assumiu a perspectiva genética ou seja, uma análise genética comparativa multidimensional,que consiste em fazer comparações da criança patológica com a normal ,com adultos e com civilizações primitivas, conforme necessidade de investigação.
A pessoa está continuamente em processo, e isso significa que há um movimento continuo de mudanças, de transformações desde o inicio da vida até seu termino.
Em cada instante desse processo a pessoa é uma totalidade, um conjunto resultante da integração dos conjuntos motor, afetivo e cognitivo. O afetivo, o motor e o cognitivo se relacionam entre si profundamente, a cada momento, e dão como resultado a pessoa individual. O que define a pessoa é essa individualidade, conseqüência das relações internas, próprias de cada sujeito.
“É contra a natureza tratar a criança de forma fragmentaria. Em cada idade constitui um conjunto indissociável e original. Na sucessão de suas idades é um único e mesmo ser em continua metamorfose” (Wallon, 1981).

2.2 Wallon e a Psicomotricidade

Psicomotricidade é uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem, através do seu corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e externo. É a área que se ocupa do corpo em movimento, lembrando que o corpo é um dos instrumentos mais poderosos que o sujeito tem para expressar conhecimentos, idéias, sentimentos e emoções. É ele que une o indivíduo com o mundo que lhe dará as marcas para que se constitua como sujeito.
Wallon ao estudar o desenvolvimento infantil, deu ênfase à motricidade, encontrando nesta a origem da emoção e da razão.
Com sua análise psicogenética Wallon respeita a complexidade do ser humano e o compreende em sua multidimensionalidade psíquica, corporal e social.
A fecundidade do pensamento de Wallon continua em permanente atualização, uma vez que perspectiva o estudo da criança na sua totalidade e renuncia às abordagens unidimensionais.
Wallon destaca-se na área de reeducação psicomotora, influenciando várias correntes, destacando entre muitos, Guilmain cujo dedicou seus estudos, impulsionado pela teoria de Wallon, e assim como Guilmain também foram influenciados pelo pensamento original de Wallon, Demeny, Hebert, Dalcroze, Ajuriaguerra e Soubiran, que deram continuidade ao movimento de reeducação psicomotora.
Já no campo educacional influenciou Le Boulch e Remain e no campo terapêutico além de Soubiran , Mazo.
Henri Wallon é, provavelmente, o grande pioneiro da psicomotricidade, vista como um campo científico.


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