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Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz
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Escrito por Rosena Marques Heleno   
Qua, 09 de Março de 2011 22:30

Esta resenha é sobre o livro de Cleo Fante que nos leva a conhecer o fenômeno bullying, violência velada ou explícita existente nos segmentos sociais, principalmente no ambiente escolar, objetivo deste estudo. Nos leva refletir sobre as causas e efeitos do fenômeno, os quais podem marcar prejudicialmente o psicológico, emocional e sócio-educacional do indivíduo. Também esclarece sobre os diferentes tipos de violência, vitimas e comportamentos. Por fim faz uma analise sobre o papel da escola e dos profissionais de educação e busca formas de prevenção desta violência.
A autora Cleo Fante, na introdução do seu livro, mostra-se preocupada com o crescimento da violência entre alunos, não é só a violência explícita, mas conforme a autora principalmente a “violência que se apresenta de forma velada, por meio de um conjunto de comportamentos cruéis, intimidadores e repetitivos, prolongadamente contra uma mesma vítima” (p. 21). Esta violência pode acarretar danos emocionais e psicológicos nos envolvidos com sequelas no decorrer de suas vidas. Também coloca a importância de estratégias para combater esta violência, visto que essa é responsável pela violência explícita que normalmente é geradora de preocupação e debates quando divulgados na mídia.
São relatadas pela autora algumas tragédias escolares de alguns países, inclusive no Brasil, também aponta possíveis causas dessas tragédias.
Cleo Fante inicia o primeiro capítulo definindo o fenômeno bullying de tal forma a não ser confundido com outras formas de violência, trazendo como definição universal “um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento” (p. 28).
Na sequência desse capítulo, a autora apresenta alguns casos da pesquisa de alunos de pós-graduação na qual relatam essas situações de violência vividas por alunos. Trazem depoimentos de vítimas colhidos na pesquisa, casos narrados por outros pesquisadores que estudam o assunto e casos divulgados nos meios de comunicação.
Ela relata que o fenômeno é muito antigo, esteve sempre presente em todas as escolas do mundo, sendo de conhecimento dos educadores, mas o interesse iniciou por volta de 1970, na Suécia, e a partir daí se estendeu por vários países. Coloca também que, no Brasil, é ainda pouco falado e estudado, e devido a esses fatos não se tem indicadores que permitam a comparação com outros países.
A autora traz quatro estudos de casos, os quais levam a concluir que a maior ocorrência do fenômeno bullying é na escola, independente do tipo de escola, pública ou particular, e de série, apesar de, muitas vezes, ser negado pelas mesmas. Também relata que esse fenômeno se desenvolve mais em sala de aula, lugar de muitos conflitos e agressões, onde se observa comportamentos repetitivos, num período prolongado de tempo e sempre contra uma mesma vítima. Conclui também que o agressor pode agir sozinho ou coletivamente, ele se impõe favorecido pela sua força física ou psicológica, vitimando com preferência os mais fracos. As causas desse comportamento agressivo podem ser segundo a autora, a carência afetiva, a ausência de limites e a reprodução de maus tratos sofridos.
As vítimas, por sua vez, se calam por vergonha ou medo, os familiares com medo e com a intenção de protegem a vítima, só vão agir quando a situação já está muito grave, assim como seus colegas que se calam por medo ou coação, e os professores não estão preparados para detectar este problema.
Os personagens dessa violência podem ser:
- Vítima típica: que não consegue se impor nem física nem verbalmente, não são agressivos.
- Vítima provocadora: provoca e atrai brigas.
- Vítima agressora: transfere os maus tratos sofridos para outros.
- Agressor: faz os mais fracos de vítima;
- Espectador: aquele que nem pratica e nem sofre, só assiste.

Nesse capítulo, Fante descreve alguns comportamentos típicos que vítimas e agressores apresentam, para que pais e professor possam observar e assim consigam identificá-los. Também faz recomendações aos pais, para que estes fiquem atentos ao comportamento de seus filhos e reflitam sobre a educação que estão oferecendo em casa.
A autora evidencia que as conseqüências podem atingir as vítimas do fenômeno não somente na época escolar, mas posteriormente no trabalho, na formação da família, na criação dos filhos e inclusive na saúde física e mental. Também coloca que o agressor pode partir para o mundo da criminalidade e das drogas.
No final do primeiro capítulo, a autora apresenta alguns programas antibullying desenvolvidos mundialmente, incluindo o Brasil, que segundo ela, desenvolve projetos para combater a violência explícita, porém muito pouco para combater e prevenir o fenômeno bullying.
Podemos constatar que o fenômeno bullying é um mal que atinge todas as escolas, independente da classe social, e aqui no Brasil, pouca coisa está sendo feita para tratar e reduzir esse fenômeno. O que as escolas vêm fazendo é se proteger da violência com seguranças, com grades, etc..
Verificamos que, para reduzir este fenômeno, temos que envolver toda a comunidade escolar e principalmente os pais, que são os responsáveis pela educação familiar. O professor deverá estar atento, independente do ciclo em que atua, pois, desde as séries iniciais, as condutas de bullying já podem ser percebidas. Por sua vez, ele está pouquíssimo preparado para reconhecer, verificar e criar estratégias para enfrentar os problemas bullying.
No segundo capítulo, a autora sugere o Programa Educar para a Paz como estratégia de intervenção e prevenção ao fenômeno bullying, com o propósito de diminuir a violência nas escolas. Para isso, esquematiza em duas etapas, dividas em passos e estratégias que devem ser seguidas. A primeira etapa é sobre o conhecimento da realidade escolar, em que deverá conscientizar toda a comunidade escolar, informando que o fenômeno atinge todas as escolas e que a partir dele é gerado outros tipos de violências. Após a reflexão desencadeada por essa estratégia, escolher a comissão do programa. A segunda etapa consiste em modificar a realidade escolar, sendo sugerido, pela autora, trabalhar o respeito mútuo, a tolerância, a solidariedade, o compartilhar sem competir, com atividades simples, como leituras de textos, poemas, etc. Também sugere um conjunto de estratégias como: serviços de denúncias, encontros semanais para avaliação e outros.
Acreditamos que o primeiro passo para tratar desse assunto seja, realmente, a conscientização de que o fenômeno BULLYING existe e acontece, em todas as escolas, no mundo todo. Precisamos “parar”, conhecer a realidade onde nossas escolas estão inseridas e priorizar valores, tais como tolerância, solidariedade, compreensão, respeito mútuo, entre outros. Esses valores e princípios precisam ser apreendidos, tanto na escola, como no ambiente familiar e, principalmente, aplicados em todos os ambientes.
Este programa, “Educar para a paz” só será possível com o engajamento de toda a comunidade (ESCOLA e FAMÍLIA). Sendo o objetivo comum de toda a comunidade, acreditamos que sua aplicação se efetivará e com excelente resultado.

Cleo Fante coloca no último capítulo as definições de violência e classifica quanto ao grau, forma, tipo, nível, determinantes, suas conseqüências e também classifica a agressividades.
Apresenta várias teorias sobre o comportamento agressivo e conclui dizendo que este comportamento “surge como resultado de uma elaboração afetivo-cognitivo” (página 167).
Expõe os fatores que favorecem um ambiente de agressividade nas escolas, colocando como os externos o contexto familiar, social e os meios de comunicação; e os internos, o clima da escola, as relações interpessoais e as características individuais. Também coloca que os profissionais da educação deveriam se preocupar em proporcionar um ambiente escolar prazeroso que estimula o diálogo, o respeito ao próximo e, principalmente, o afeto.
Parece-nos que a questão mais evidente e urgente, além da informação sobre teorias relativas à violência e à agressividade, seja os questionamentos que estão postos neste capítulo.
A escola detém-se, por demais, em questões estritamente cognitivas e disciplinares (contenção). Com o fato de bons profissionais, preocupados com o todo (aluno, disciplina, escola, hábitos/atitudes, valores, etc), não serem tão valorizados como deveriam, diminui-se a relação de afeto que deve existir nas relações interpessoais.
O que realmente fazemos para “encantar” o aluno pela escola?
Cleo Fante conclui seu livro afirmando que, até o momento, é impossível eliminar a violência social, mas é possível reduzi-la com estratégias que envolvam toda a comunidade escolar. Estratégias essas bem planejadas, com investimentos sérios em educação e com a ajuda da família.
A obra que nos referimos é uma valiosa contribuição à nossa prática pedagógica, pois através dela nos foi alertado sobre as condutas bullynig e também a utilizar o Programa Educar para a Paz como proposta para reduzir o fenômeno.
Acreditamos que para prevenir as condutas bullying é importante trabalhar valores como o afeto, a tolerância e a solidariedade, valores básicos de um ser humano em seus mais diversos aspectos. Sendo que estes deveriam ser estabelecidos primordialmente na família através do dialogo e limites.
Sabemos que a escola é um ambiente muito importante para reforçar estes valores. Porém muitas vezes não é o que acontece, devido ao fato de que os pais não fazem o papel que lhes cabem, transferindo a tarefa ao professor, e este, no entanto não está preparado para suprir esta deficiência.
O professor necessita de uma direção que se envolva e ajude a ter uma relação mais afetiva com o aluno, pois a valorização dos laços afetivos no ambiente escolar é importante tanto para a expressão do aluno, quanto para o controle da violência na escola e, por conseqüência a longo prazo, na sociedade como um todo.
No entanto, o que frequentemente encontramos é uma direção omissa que outorga ao professor toda a responsabilidade de tratar e solucionar os problemas dentro da sala de aula, contribuindo com o fenômeno bullying.

RESENHA
FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar  para a paz. 2. ed. rev. e ampl. Campinas, SP: Verus, 2005.
Cátia Simone Cristofoli 
Marta Gomes de Campos


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