Curiosidades sobre a região norte do Brasil

By Rodrigo Felizardo
13 de março de 2011
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A região Norte é divida nos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A influência dos índios ainda está muito forte na culinária destes estados, principalmente no Pará, pois a maioria dos ingredientes são encontrados somente nesta região, não existindo em nenhuma outra parte do país.

Acre – Colonização
Originalmente chamado de Aquiri pelos exploradores da região que transcreveram do dialeto dos índios Ipurinã a palavra Uwákuru, este território antes pertencente à Bolívia foi aos poucos sendo ocupado por brasileiros. Os primeiros habitantes da região eram índios aculturados, isto até os idos de 1877, quando imigrantes nordestinos fugindo da seca e atraídos pelos altos preços da borracha no mercado internacional iniciaram a abertura de seringais e avançaram pelas vias hidrográficas (rio Acre, Alto-Purus e Alto-Juruá), chegando a aumentar a população na bacia do Alto-Purus de cerca de mil habitantes para 4 mil em um ano. Buscando garantir o domínio da área, instituiu-se por parte dos bolivianos a cobrança de impostos e a fundação da cidade de Puerto Alonso, hoje Porto Acre. A revolta dos brasileiros diante destas medidas resultaram em conflitos que só tiveram fim com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 17 de novembro de 1903, no qual o Brasil adquiriu – parte por compra, parte por troca de pequenas áreas do Amazonas e do Mato Grosso – o território do atual Acre. Na região de fronteira com o Peru também houve controvérsias quanto aos limites territoriais. Em setembro de 1903, os peruanos foram expulsos das áreas ocupadas, sendo resolvido o impasse territorial em 8 de setembro de 1909, tendo como representante nas negociações o Barão do Rio Branco, então Ministro das Relações Exteriores.

Amapá – Colonização
Doada em 1637 ao português Bento Manuel Parente, a região era conhecida como capitania da Costa do Cabo do Norte. Ingleses e holandeses incursionavam à região naquele mesmo século e foram expulsos pelos portugueses.
Os franceses, por sua vez (séc. XVIII), reivindicaram a posse da área que teve seus limites estabelecidos em 1713 pelo Tratado de Utrecht (definiu limites entre Brasil e Guiana Francesa), não respeitados pelos franceses, e, buscando proteger seus limites, os portugueses construíram a fortaleza de São José de Macapá. A partir do século XIV, com a descoberta do ouro e o crescimento da extração da borracha, o povoamento intensificou-se.

Amazonas – Colonização

Assim como as terras do Estado de Rondônia, a região Amazônica pertencia inicialmente à Espanha, porém, com as incursões portuguesas no início do século XVII, as disputas cessaram em 1750 com a assinatura do Tratado de Madri, ficando Portugal como “dono” definitivo da região. Mais tarde, em 1850, Dom Pedro II criou a província do Amazonas. A região Amazônica apresentava-se rica no início do século XX devido a exploração da borracha. Contudo, este tipo de exploração em colônias inglesas e holandesas do oriente levaram o Amazonas para a decadência econômica, passando por longo período de estagnação. A retomada do crescimento se deu em 1950 com incentivos do Governo Federal, culminando com a criação da Zona Franca de Manaus (1967) e a introdução da industrialização na região.

Pará – Colonização
Invadido diversas vezes por holandeses e ingleses no início do século XVI em busca de sementes como: urucum, guaraná e pimenta; teve sua ocupação iniciada em 1616 por portugueses com a fundação do Forte do Presépio mais tarde denominado Forte do Castelo e originando a cidade de Belém.
Visando uma melhoria na defesa da costa e nos contatos com a metrópole, o território passou a fazer parte da província do Maranhão e Grão-Pará tendo em vista que as relações com a capital da colônia – Salvador – eram dificultadas pela corrente marítima.                  Durante o século XVII, as lavouras de café, arroz, cana-de-açúcar, cacau e tabaco, bem como, as fazendas de gado trouxeram prosperidade à região. Coincidentemente, em 1774 ocorreu a estagnação da economia e a integração (Maranhão e Grão-Pará) foi desfeita.                 A exploração da borracha no final do século XIX impulsionou novamente a economia desenvolvendo a região norte. Porém, durante o século XIX, movimentos contra Portugal surgiram, como por exemplo, a Cabanagem em 1835, movimento este que chegou a decretar a independência e instalar um novo governo em Belém.

Rondônia-Colonização
O atual Estado de Rondônia surgiu da divisão de terras anteriormente pertencentes ao Amazonas e Mato Grosso, quando da sua criação em 1943 chamava-se Território do Guaporé. Em homenagem ao Marechal Rondon (desbravador dos sertões do Mato Grosso e Amazônia), o território recebeu o nome de Rondônia em 17 de fevereiro de 1956, e em 1981 passou a integrar a Federação. No século XVII algumas missões religiosas haviam chegado a região. Portugueses partiram de Belém no século XVIII subindo o rio Madeira até o Guaporé chegando ao arraial de Bom Jesus, atualmente Cuiabá, onde descobriram ouro; a partir daí, exploradores bandeirantes vinham em busca das riquezas minerais. Segundo o Tratado de Tordesilhas, a região pertencia à Espanha. Após a entrada das Bandeiras e o mapeamento dos rios (Madeira, Guaporé e Mamoré) nos anos de 1722 a 1747, os limites entre Portugal e Espanha foram redefinidos pelos Tratados de Madri e Santo Ildefonso, ficando com Portugal a posse definitiva e a defesa dos limites da região. Em 1781 foram feitas as demarcações da área. No século XIX, fase do ciclo da borracha, iniciou-se o povoamento juntamente com a construção da ferrovia Madeira-Mamoré e a exploração dos seringais.

Roraima – Colonização
Desde o início do século XVI, portugueses, espanhóis, ingleses e holandeses disputavam o antigo território do Rio Branco. O povoamento da região se deu somente no século XVIII, após o extermínio de muitos índios.  Criou-se em 1858 por parte do Governo Federal a freguesia de Nossa Senhora do Carmo, mais tarde (1890) transformada no município de Boa Vista do Rio Branco. No ano de 1904, uma disputa territorial com a Inglaterra tirou a maior parte das terras do Pirara (afluente do rio Maú) pertencentes ao Brasil, e incorporadas à Guiana Francesa. O Território Federal do Rio Branco foi criado em 1943 e sua área desmembrada do estado do Amazonas. A partir de 13 de dezembro de 1962 passou a chamar-se Território Federal de Roraima e, com a promulgação da Constituição de 1988 o território foi transformado em Estado da Federação.

Tocantins – Colonização
Em 1625, missionários católicos chefiados pelo frei Cristóvão de Lisboa fundaram no extremo norte de Goiás uma missão religiosa. As correntes migratórias passaram a ocupar a região propagando suas culturas. Originários de São Paulo e chefiados por Bartolomeu Bueno, os sulistas, grande parte bandeirantes migraram para a área; de outro lado, povos de origem nordestina conquistaram seu espaço. Devido às dificuldades de acesso e o estabelecimento de vínculos comerciais entre o norte e o sul, aumentaram significativamente as diferenças entre as regiões que passaram a desejar a separação. Na região norte, em setembro de 1821, um movimento proclamou Cavalcante e mais tarde Natividade como governo autônomo. Passados 52 anos, foi proposta a criação da província de Boa Vista do Tocantins não sendo aceito pelos deputados do Império.
Um “Manifesto à Nação” elaborado e divulgado pelo Juiz da Comarca de Porto Nacional no ano de 1956 foi assinado pela população do norte revigorando a separação.                 Apresentado em 1972 o Projeto de Redivisão da Amazônia Legal, onde constava a criação do Estado de Tocantins, este foi aprovado (27 de julho de 1988) pela Comissão de Sistematização e pelo Plenário da Assembléia Nacional Constituinte. O primeiro governador (José Wilson Siqueira Campos) tomou posse em 01/01/89 em Miracema do Tocantins – capital provisória – até que Palmas, atual capital, fosse construída.

 

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