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Verdadeiramente o cão é um ser carnívoro, e deve ser alimentado de acordo com essa classificação, e este é um fato científico, e não uma propaganda industrial que geralmente prega o contrário.
Se o alimentarmos da maneira errada poderemos criar deficiências generalizadas de importantes macros e micros nutrientes essenciais àquela espécie.
Um Mundo de diferenças existe no modo de alimentar um animal herbívoro (com enzimas orientadas para uma eficiente digestão de matérias vegetais, como o coelho, o cavalo, etc.), um onívoro (com enzimas orientadas para uma eficiente digestão de matérias vegetais ou animais, como o porco o frango, etc.) e um carnívoro (com enzimas digestivas predominantes para digestão de matérias de origem animal, com fraca ação amilolítica, isto é, sem capacidade de digestão de vegetais).
Como todos sabem os carnívoros ocupam o topo da cadeia alimentar, e tem as suas necessidades nutricionais acima até mesmo dos seres humanos; a exemplo disso podemos mencionar que um homem adulto e sadio precisa em média de 1 grama de proteína para cada quilo de peso vivo por dia para manter-se vivo, é também sabido que o peso seco do corpo humano é constituído de 75% de proteína; no caso de um cão adulto e sadio essa necessidade quadruplica, pois a sua necessidade\quilo\dia é de aproximadamente 4.4g de proteína, e seu peso seco em proteína é de apenas 60%, o que quer dizer que um cão necessita de quatro vezes mais proteína por quilo de peso vivo , para manter 20% a menos de massa muscular em relação ao homem.( Earl Mindell ).
Uma dieta rica em proteínas de alto valor biológico, gordura, rica em vitaminas e minerais, baixa em carboidratos e destituída de proteínas de origem vegetal é o que requer o organismo de um animal carnívoro (Animal Nutrition - Vol. 2 ).
A despeito dessas informações, hoje o cão é alimentado particularmente com largas quantidades de alimentos de origem vegetal, o que é motivado inclusive pelas indústrias de rações, que assumem abertamente que não fazem rações para carnívoros e sim para onívoros, desrespeitando assim a natureza e fisiologia do cão, talvez por isso uma importante revista da área, a “Alimentos Balanceados para Animales” comentou que cerca de 48% do alimento produzido para rações industriais é de baixa qualidade nutricional.
O comentário de alguns colegas que alegam que o cão é onívoro e consegue digerir o amido, tendo como exemplo que quando os cães selvagens atacam sua presa (geralmente um herbívoro) se deliciam com o conteúdo do estômago e intestinos que estão com alimentos de origem vegetal, pode ser impreciso se lembrarmos de observar que tudo o que está dentro do aparelho digestivo, já sofreu ação enzimática, isto é, já está digerido, não requerendo do carnívoro uma eventual digestão desse material; além do que, nunca se viu um cão procurando naturalmente dentro de um milharal, uma espiga de milho, ou numa plantação de batatas ou etc. qualquer alimento vegetal para saciar a sua fome. Ainda que se dê alimentos vegetais como o Milho, feijão ou outro cereal qualquer para comer, perceberemos posteriormente em suas fezes, estes elementos intactos, provando também assim, que não conseguem digerí-los.
Em resumo, ao longo dos anos tem sido criada uma falha nutricional nos cães, a qual precisa ser corrigida.
Desafortunadamente, essas informações não são fáceis de atingir os profissionais da área ou até mesmo o consumidor final, por causa da grande influência que as indústrias de alimentos para cães e gatos exercem sobre a formação de opiniões e sobre o mercado consumidor com campanhas publicitárias e literaturas desenvolvidas para essa finalidade, que defendem apenas os interesses de alguns.
Basta abrir a boca de um cão e observar a anatomia de seus dentes, e estudar sobre sua inteira estrutura, psicologia e trato digestivo para descobrir que ele é um predador nato, e seu organismo é um perfeito processador de carne. Em todas as espécies de animais é ao nível do intestino delgado que se encontram reunidas as condições mais favoráveis à absorção de nutrientes. O epitélio da mucosa intestinal representa uma superfície considerável que se avalia em 12 m2 no cavalo, 17 m2 no boi, 2,8 m2 no porco e apenas 0,5 m2 no cão, mais uma característica que o enquadra entre os carnívoros (Animal Nutrition - Vol. 1).
Um outro fator a ser levado em conta, é que pesquisas realizadas pelo doutor Oscar V. Machuca no Equador, apontaram que alimentos manipulados industrialmente com alto teor de carboidratos podem ter muitos fatores desfavoráveis em seu complexo molecular que podem apresentar uma estrutura estereoquímica inadequada para ser aproveitada pelo organismo, porque seus gradientes termodinâmicos não são apropriados para as transformações necessárias a uma perfeita absorção, uma vez que a alimentação atual do cão se encontra saturada de carboidratos (gelatinizados ou não) e estes energéticos podem impedir a assimilação de determinados aminoácidos existentes nas proteínas, além de minerais, pelo seguinte motivo : os radicais cetônicos e aldeídos da glicose e da frutose, provenientes dos processos digestívos, podem se combinar com os radicais eta-aminos dos aminoácidos, formando destarte compostos inassimiláveis pelo organismo, além do que o amido pode causar irritações nas paredes do intestino do carnívoro, o que acaba por impedir uma absorção eficiente dos aminoácidos e liberando um gás de odor desagradável denominado escatol. Também o cozimento excessivo das rações pode provocar reações entre proteína-carboidrato que irão afetar a digestão (reações de Maillard).
O que realmente se faz mister é que se adote uma consciência, lançando-se mão do intelecto, instinto ou senso comum, sobre esse assunto no intuito de definir como trataremos o cão, como carnívoro, onívoro ou o que quer que seja, porque isso é o que vai determinar o modo como ele deve ser alimentado.
Concluindo, se um dia o cão vier a ser onívoro, nenhum de nós estaremos vivos para presenciar tal fato, pois a evolução das espécies em si, é morosa podendo levar centenas, ou até mesmo milhares de anos. Com vistas a essa premissa, existem então três meios racionais de corrigir o dilema criado pelas grandes indústrias que tratam o cão como onívoro e subsequentemente o alimentam como tal.
A primeira alternativa seria fazer uma comida caseira embasada de carne para alimentar o cão; uma dieta assim careceria de conhecimentos técnicos e pesquisas sobre tudo o que envolve o uso de carne na alimentação dos cães e ainda um profundo conhecimento nutricional acerca do balanço dos minerais , além do que, seria muito dispendioso.
A segunda opção seria alimentar o cão com uma ração desenvolvida para carnívoros, que infelizmente no Brasil é impossível, todavia nos Estados Unidos a Dog Food Company (Poughkeepsie, NY 914 473-1903) produz ração para cães segundo esses critérios.
A terceira opção é tentar transpor essas deficiências inerentes à nutrição comercial através do uso de suplementação complementar desenvolvida pela zootecnia para essa finalidade, ou seja, através do uso de pequenas quantidades de proteínas nobres concentradas, e de alto valor biológico e aminoácidos selecionados, além de vitaminas e minerais que através do seu sinergismo criam um padrão nutricional ótimo na alimentação canina a qual aumenta a qualidade do arraçoamento total.
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