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Ação humana e a alteração da paisagem
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Escrito por Romilda Meschiel   
Seg, 17 de Janeiro de 2011 17:13

No desempenho de suas atividades econômicas, o homem modifica o ambiente em que vive: corta ou planta árvores, ara terras, constrói edifícios e caminhos, perfura montanhas para abrir túneis ou minas, lança resíduos orgânicos e industriais na atmosfera, nos rios e no mar, canaliza as águas superficiais. O resultado de tudo isso é a paisagem geográfica, síntese dos elementos naturais e da ação transformadora dos seres humanos.
Paisagem, em sentido geral, é toda porção de terreno contemplada de uma perspectiva natural ou estética. Para a ciência geográfica, porém, o termo tem significação específica e refere-se ao próprio objeto da geografia. Nesse sentido científico, paisagem é o resultado da combinação, num dado território, dos elementos físicos, biológicos e humanos que constituem sua unidade orgânica e se encontram estreitamente relacionados. Para muitos autores, o objeto da ciência geográfica é o estudo das paisagens terrestres em sua estrutura, gênese e função. A geografia geral estuda e classifica os diversos tipos de paisagem da superfície terrestre.
O conceito geográfico de região refere-se a territórios vinculados segundo razões econômicas e políticas de caráter funcional, enquanto a paisagem  constitui um espaço territorial caracterizado por seus elementos externos ou formais. Numa mesma região se podem achar várias paisagens (marítimas e naturais, agrícolas, industriais etc.). No desenvolvimento da ciência geográfica, o  conceito de paisagem teve importância fundamental na delimitação do campo de estudo. Na antiguidade, a relação entre os elementos físicos e humanos da paisagem foi estabelecida pela primeira vez nos tratados de Estrabão e dos geógrafos da escola de Alexandria. Na época dos grandes descobrimentos e da expansão européia, o progresso das ciências naturais contribuiu para a descrição minuciosa de aspectos físicos do ambiente.
No começo do século XIX, Alexander von Humboldt definiu paisagem em sentido ainda estritamente natural, e Carl Ritter descobriu a inter-relação entre a atividade do homem e o meio natural, o que deu origem à geografia humana. A escola alemã desenvolveu uma concepção determinista da geografia, pela qual o meio condicionaria rigidamente a atividade e a cultura humanas. Na França, a escola possibilista, representada sobretudo por Paul Vidal de La Blache, defendeu a influência do homem no meio, ao longo da evolução histórica e segundo seus próprios interesses.
A partir do fim do século XIX, quando William Morris Davis definiu as paisagens morfológicas conforme seus processos de formação, os geógrafos desenvolveram os conceitos de paisagem natural, humanizada e geográfica global. Um passo decisivo nessa evolução teórica foi a classificação pelos elementos constitutivos, entre os quais o clima, bem diferençado em grandes regiões terrestres e em microclimas locais; o relevo, marcado pelos processos de orogênese e erosão; a vegetação e, de forma em geral subordinada, a fauna; e a ação humana, determinada pelo desenvolvimento econômico e cultural de cada povo ou civilização.
Todos esses elementos interagem: o relevo afeta o clima, o qual influi nas formas de vegetação, cuja maior ou menor densidade favorece ou dificulta a erosão etc. A relação entre os elementos e agentes da paisagem tende a um equilíbrio dinâmico e instável, em constante transformação. Atualmente, quase todas as paisagens da Terra, salvo as polares, os altos cumes das cordilheiras, as matas virgens e o interior dos desertos, têm caráter humanizado ou cultural em maior ou menor medida.
O grau mais alto de humanização da paisagem é atingido na cidade, onde a transformação cultural é quase absoluta. As paisagens rurais, muito diferentes, são qualificadas pelos usos agrícolas, pecuários e florestais do território, assim como por outros fatores de caráter econômico (estradas, ferrovias, minas e indústrias). As paisagens em que a ação do homem não se impôs de forma determinante sobre o meio são predominantemente naturais, como as matas e pradarias, cuja conservação inclui o aproveitamento racional dos recursos, ou as estepes e tundras, territórios de escasso valor econômico.


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