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A Revolução Intelectual do Iluminismo
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Escrito por Nivaldo Antonio Bortoloto   
Qua, 26 de Janeiro de 2011 12:48

No domínio da cultura, a Europa do século XVIII assistiu ao grande desenvolvimento da Filosofia das Luzes, iniciado no século anterior, o Século das Luzes, especialmente na Inglaterra, mas que repercutiu em todo o mundo. Era o Iluminismo, a grande Revolução Intelectual.
A nova cultura foi, até certo ponto, uma continuação do Renascimento. Caracterizou-se pela intensa produtividade de artistas, homens de ciência e filósofos, e colaborou decisivamente para mudar as formas de pensar, sentir e agir. As elites, cada vez mais, acreditavam na razão, definida como a capacidade de compreender o mundo através do raciocínio sistemático. Essa nova forma de pensar, baseada no conhecimento dedutivo e na utilização da experiência controlada, deveria iluminar as ações humanas e substituir as explicações religiosas do mundo.
Essa filosofia, tal como a Renascença, foi principalmente uma criação da classe burguesa, e teve, como um dos seus resultados mais importantes, a criação de inúmeras ciências naturais e sociais, tais como a Física, a Biologia, a Química, a Economia e a Sociologia.
O século XVIII conheceu várias revoluções. A Revolução Industrial, a Revolução Francesa e também a Revolução Intelectual. O auge da Revolução Intelectual em filosofia de deu com o Iluminismo, também chamado de “Ilustração” ou “Filosofia das Luzes”. Esse movimento iniciado na Inglaterra e rapidamente difundido pelo norte da Europa, condenava o Antigo Regime, combatendo assim o absolutismo monárquico, que era considerado um sistema injusto por impedir a participação burguesa nas decisões políticas e impedir a realização de seus ideais. Combatia também o mercantilismo, que impedia à livre iniciativa e o desenvolvimento espontâneo do capitalismo e, o poder da igreja, pois esse poder baseava-se em verdades reveladas pela fé. Isso se chocava com a autonomia intelectual defendida pelo racionalismo iluminista.
As suas idéias tinham por base o racionalismo, isto é, a primazia da razão humana como fonte do conhecimento. Os Iluministas sonhavam com um mundo perfeito, regido pelos princípios da razão, sem guerras e sem injustiças sociais, onde todos pudessem expressar livremente seu pensamento. Visto pelos intelectuais como um movimento que iluminava a capacidade humana de criticar e almejar um mundo melhor, transformou o século XVII no Século das Luzes. Os iluministas teorizavam sobre um mundo novo que correspondia ao início da Revolução Industrial e que seria completado com a Revolução Francesa. As raízes do Iluminismo estão no progresso científico advindo do Renascimento. Esse movimento repercutiu sobre todo o mundo. Antes mesmo de influenciar a Revolução Francesa, que estava por vir, teve influências sobre a Revolução Americana, que resultou na formação dos Estados Unidos.
A principal característica das idéias iluministas, era a explicação racional para todas as questões que envolviam a sociedade. Em suas teorias, alguns pensadores iluministas, como filósofos e juristas, preocuparam-se com as questões políticas, sociais e religiosas, enquanto outros, como os economistas, procuraram uma maneira de aumentar a riqueza das nações. De modo geral, esses pensadores defendiam a liberdade, a justiça, a igualdade social e Estados com divisão de poderes e governos representativos. Acreditavam que esses elementos eram essenciais para uma sociedade mais equilibrada e para a felicidade do homem.
Os principais pensadores iluministas no campo do liberalismo social foram: Voltaire, Montesquieu e Rosseau. E no campo econômico: Quesnay e Smith.
François-Marie Arouet (1694-1778), ou Voltaire, simboliza o Esclarecimento mais ou menos como Lutero simboliza a Reforma e Leonardo da Vinci, a Renascença Italiana. Voltaire é mais conhecido como um campeão da liberdade individual. Considerava como totalmente bárbaras todas as restrições à liberdade de expressão e de opinião. Expressando isso com uma famosa frase, amiúde citada como o mais alto exemplo de tolerância intelectual: “Não concordo com uma única palavra do que dizei, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”.
Se havia, porém, uma forma de opressão que odiasse, esta era a tirania da religião organizada. Voltaire trovejou contra a crueldade da igreja em torturar e queimar homens inteligentes que se atreveram a por em dúvida os seus dogmas. Defendia a liberdade de religião e de pensamento, bem como a igualdade perante a lei. A burguesia francesa simpatizava com suas idéias, pois estas se adequavam às suas necessidades. Crítico dos privilégios de classe, foi apelidado de o "filósofo burguês". Ele não defendia o direito das camadas populares, por achar que eram inferiores. Julgava que os países atrasados deveriam ter um governo absolutista esclarecido, e os mais avançados um governo republicano e liberal.
Em conseqüência de um dos seus panfletos, ridicularizando nobres e funcionários pomposos, foi encarcerado na Bastilha e depois exilado para a Inglaterra, onde permaneceu por três anos e escreveu sua primeira obra filosófica: “Cartas Inglesas”, onde divulgava as idéias de Newton e de Locke, aos quais ele passara a considerar como dois dos maiores gênios que já tinham existido.
Charles Louis de Secondat (1689-1755), ou Montesquieu, grande escritor francês. Suas teorias políticas sugeriam que os grandes países deveriam adotar o despotismo esclarecido, os médios, a monarquia constitucional, e os pequenos, a república. Em seu livro, “O Espírito das Leis” (1748), criticou os costumes de seu tempo, ficando muito conhecido pela sua “doutrina dos três poderes” que defendia, como meio para garantir a  liberdade, a divisão do poder político em três partes: Legislativo, Executivo e Judiciário: "É uma verdade eterna: qualquer pessoa que tenha o poder, tende a abusar dele. Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder". Esta obra inspirou os redatores da Constituição de 1791 e tornou-se a fonte das doutrinas constitucionais liberais, que repousam na separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário.
Como Voltaire, também não defendia as populações mais pobres. Na verdade, esses pensadores eram coerentes, pois defendiam somente os interesses da nova classe social que despontava como revolucionária: a burguesia liberal.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), o único pensador que talvez tenha se aproximado dos anseios populares. Defendia a idéia de soberania popular, isto é, a vontade coletiva deve se impor sobre a vontade individual. Nisso Rousseau estava bem avançado para sua época, pois criticava o individualismo burguês antes mesmo que a burguesia estivesse no poder. Ele repudiou muitas das pressuposições fundamentais que vinham de Newton e de Locke, assim como David Hume (1711-1776) o principal céptico do Iluminismo. Incurável desadaptado que era, a chafurdar no atoleiro das suas paixões, era conhecido como o pai do romantismo e seria assombroso se Rousseau tivesse defendido as teorias racionalistas. Afirmava que adorar a razão como guia infalível da conduta e da verdade é agarrar-se a um caniço quebrado. Certamente a razão tem a sua utilidade, mas não vale como resposta completa.
No seu estudo “Discurso sobre a Origem e Fundamentos das Desigualdades entre os Homens”, Rousseau argumenta que todos os males da civilização são originados da propriedade privada, que determinou as diferenças sociais e o surgimento de dominadores e dominados. Para superar esta dominação, ele propunha um contrato social, que deveria ser elaborado por toda a comunidade e não por indivíduos isolados. A soberania reside no povo; a vontade individual não é importante, mas sim a vontade da maioria, que deveria ser expressa através do voto. O contrato social iria garantir a igualdade de todos.
Para Rousseau, o homem que pensa é um animal depravado. Suas obras influenciaram os homens de sua época e foram fontes de consulta dos pensadores futuros. Emílio e Nova Heloísa forneceram as diretrizes da pedagogia moderna e o Contrato Social, os fundamentos do governo democrático.

Não foi apenas o absolutismo o alvo das críticas iluministas; eles também discordavam do mercantilismo, a política econômica adotada naquele sistema de governo. Entre os colaboradores da Enciclopédia existia um pequeno grupo dedicado à nascente ciência econômica. Eram os chamados fisiocratas, que lançaram os fundamentos da economia como ciência. Acreditavam que a atividade econômica, assim como as demais atividades humanas, estava submetida a leis naturais. A lei da oferta e da procura (a lei do mercado), por exemplo, deveria predominar na economia dos diversos países. Dessa forma, a política mercantilista com sua regulamentação de preços, salários e monopólios pelos governos, passou a ser criticada.
François Quesnay (1694-1774), líder entre os fisiocratas, médico e economista francês que atacava a intervenção do Estado na economia e defendia a liberdade de comprar e vender onde cada um achasse mais conveniente. O lema dos fisiocratas que ficou famoso: “Laissez faire, Laissez passer”, atendia perfeitamente às necessidades da burguesia, desejosa de afastar o controle do Estado sobre a economia. Para Quesnay, apenas a terra era a verdadeira produtora de riqueza; o comércio era considerado estéril, pois consistia na mera transferência de mercadorias e não gerava riquezas.

Adam Smith (1723-1790), economista escocês, diz que o trabalho de uma nação é a principal fonte geradora dos bens que necessita a comunidade. O aumento da produtividade do trabalho depende de sua divisão, que repousa essencialmente, na propensão que tem a natureza humana para trocar uma coisa por outra. A acumulação de capital funciona como uma das condições prévias dessa divisão. Quanto à noção do valor, surgiu como troca de mercadorias. O termo valor apresenta dois significados, o de utilidade e o de poder de compra, sendo o primeiro valor de uso, e o segundo valor de troca. O trabalho seria a medida do valor de todas as mercadorias. Estudando o problema do preço, concluiu o economista que as rendas, os salários e os lucros são meros componentes da renda. No que se refere à acumulação capitalista, divide o capital em fixo e circulante. O primeiro consiste, principalmente, em máquinas, edifícios, implementos agrícolas, enquanto o segundo compreende o dinheiro, as matérias-primas e as mercadorias acabadas, ainda em mãos do industrial ou do comerciante. Analisando a estrutura da sociedade capitalista, Adam Smith chegou a extraordinária conclusão, para a sua época, da divisão da sociedade em três classes fundamentais da sociedade capitalista: o operariado, os capitalistas e os proprietários de terras.
É famosa sua metáfora da mão invisível: “...de modo geral, ninguém se propõe promover o interesse público, nem sabe até que ponto o promove; pensa apenas em seu próprio ganho, mas, agindo desse modo, é levado por uma mão invisível a promover um fim que não estava em suas intenções. Logicamente, tal atitude leva a contemplar com circunspeção a ingerência do Estado na atividade econômica”.
Adam Smith representa não apenas um ponto de partida na Ciência Econômica, mas também a afirmação de muitas questões de importância perene na mesma.

A Enciclopédia
A Encyclopédie, pretendia ser uma suma completa dos conhecimentos filosóficos e científicos da época. Colaboraram com este conjunto de livros mais de trezentos pensadores. A tônica da obra era o anticlericalismo, o materialismo e principalmente o liberalismo político. Por isso era contrário às monarquias absolutistas e à Igreja. No entanto que foi proibida pelas autoridades e passou a circular clandestinamente. Os iluministas sonhavam, enfim, com um mundo onde houvesse colaboração entre os homens para alcançar a felicidade comum.
Diderot e d’Alembert foram os principais componentes de um grupo conhecido como os Enciclopedistas, que organizaram e publicaram a Grande Enciclopédia.
Denis Diderot (1713-1784), filósofo francês que assumiu a direção, apesar de inúmeras dificuldades, até a sua conclusão. Afirmava que “os homens jamais serão livres enquanto não seja estrangulado o último rei com as tripas do último padre”. Diderot escreveu um artigo na Enciclopédia, no qual coloca críticas ao absolutismo e defende um poder vindo do consentimento do povo.

Jean Le Rond d’Alembert (1717-1783), escritor, filósofo e matemático francês. Cético em religião e meta-física, defensor da tolerância, expôs, no Discours préliminaire de 'l Encyclopédie, a filosofia natural e o espírito científico que presidiu à elaboração dessa obra. Membro da Academia de Ciências, deixou os Elogios acadêmicos e trabalhos de matemática sobre as equações diferenciais e a mecânica. Sua obra básica é o Tratado de dinâmica (1743). Para d’Alembert a garantia única de progresso residia no esclarecimento universal. Sustentava, por isso, que as verdades da razão e da ciência deviam ser ensinadas às massas, na esperança de que um dia o mundo inteiro pudesse libertar-se do obscurantismo e da tirania.


O Despotismo Esclarecido
Os governantes absolutistas de alguns países europeus adotaram certos princípios iluministas, promovendo em seus Estados uma série de reformas nos campos social e econômico. Esses governantes ficaram conhecidos como déspotas esclarecidos. De modo geral, a palavra déspota refere-se a ditador, mas ao mencionarmos déspotas esclarecidos, estamos nos referindo aos monarcas absolutistas que mostraram-se receptivos a certos princípios iluministas.
Essa reforma se deu principalmente no campo da educação, com incentivo à educação pública através da construção de escolas, do apoio a academias literárias e científicas e da divulgação de textos eruditos. E no campo referente a tributações, com o aperfeiçoamento do sistema de arrecadação tributária, procurando tornar menos opressiva a carga de tributos cobrados das classes populares. Os principais déspotas esclarecidos foram:
Catarina II (1762-1796), da Rússia: O monarca Pedro, O Grande, fez planos de modernização para a Rússia, construiu a cidade de Petersburgo. Catarina II, A grande, modernizou essa cidade e deu continuidade a obra de Pedro. Mas reprimiu todos os movimentos camponeses de caráter reivindicatório.
José II (1741-1790), da Áustria: José II tentou modernizar a Áustria através de uma reforma agrária, diminuiu o poder da igreja católica, confiscando suas terras; mas essa reforma acabou sendo frustrada pela resistência dos nobres proprietários.
Frederico II (1712-1786), da Prússia: Frederico II construiu escolas de ensino elementar e estimulou o desenvolvimento industrial e agrário, dando assim continuidade as reformas de Frederico I que se fortaleceu e ganhou prestígio graças às medidas reformistas adotadas em relação à educação e política exterior.
Carlos III (1716-1788), da Espanha: Carlos III iniciou uma série de reformas administrativas, financeiras e fiscais para dar novo alento à economia. Além disso, combateu o poder excessivo da Igreja Católica, suprimiu a Inquisição e expulsou os jesuítas.
Sebastião José de Carvalho e Melo, ou Marquês de Pombal (1750-1777), de Portugal: Foi um dos mais importantes ministros do rei José I, colocou em prática medidas que reforçaram o setor comercial, instituindo as companhias comerciais monopolistas, subsidiando manufaturas numa tentativa rudimentar de instaurar a industrialização de Portugal. Pombal também expulsou os jesuítas do reino e expropriou os bens da Companhia de Jesus.


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Comentários  

 
0 #1 leonardo 22/10/2012 19:27
muito boa esta matéria explica bem sobre a revolução intelectual(ilu minismo)
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